A Espanha está a tentar evitar um pedido de resgate que a pode equiparar à Irlanda, à Grécia e a Portugal, que tiveram de assinar um memorando de ajustamento financeiro com a troika. Seja qual for a modalidade, o pedido tem de ser feito pelo governo espanhol que tem de aceitar condições e dar garantias. Estima-se que os bancos espanhóis registem perdas aproximadas de 250 mil milhões de euros, devido aos problemas latentes detetados no mercado imobiliário. A dimensão do problema espanhol é três vezes superior ao cheque de 78 mil milhões de euros, passado a Portugal.
Outro grave problema com que Espanha se está a confrontar, tem a ver com as dívidas das regiões, à semelhança da Catalunha que já pediu ajuda financeira ao governo central, muitas outras estão na mesma situação. Os instrumentos europeus já estão prontos para o resgate espanhol, resta saber até quando irá resistir o governo.
As consequências negativas para Portugal do resgate espanhol são no âmbito económico. Com maior austeridade em Espanha, o consumo vai diminuir e as nossas exportações irão diminuir. Mas Portugal também vai beneficiar, nomeadamente, o sistema bancário português, com a assistência financeira aos bancos espanhóis, estes passarão a ter condições para honrarem os seus compromissos.
O furacão da crise espanhola poderá acelerar os mecanismos para pôr fim à crise da Zona Euro. A Europa necessita antes de mais, de uma união política e de uma união orçamental, no fundo mais Europa. A consolidação orçamental é fundamental para perspetivar o crescimento económico.
O endividamento da banca, das empresas e dos agregados familiares, o desemprego elevado, as medidas de austeridade orçamental destinadas a combater o aumento da dívida pública e a exposição da banca a dívidas soberanas, conjugada com uma economia fraca formam este ciclo vicioso, que continua a fazer as suas vítimas. A Espanha é a vítima que se segue dentro de momentos.









