Todas as pessoas que se vêem na iminência de deixar cargos de poder, ou por se reformarem, ou por fim de ciclo, sentem uma sensação muito próxima, daqueles que deixam a droga. A perda do poder é também, uma perda do papel social e de tudo que está associada a ele. O poder vicia as pessoas quer a nível físico, quer a nível psicológico. Isto explica a dificuldade das pessoas, que estão muito tempo no poder, de o deixar quando chega o momento, pois, em certos casos chegam mesmo a resistir à saída.
A excitação, a adrenalina, sentidas nas discussões importantes, que envolvem outros dirigentes de topo, faz com que as pessoas se sintam sempre muito preenchidas interiormente. Quando deixa de acontecer, o vazio começa a ser cada vez maior, deixa-se de sentir o sangue correr nas veias, os indivíduos ficam afectados de forma irremediável. Estar fora do poder corresponde a estar longe das câmaras de televisão, das primeiras páginas dos jornais, ou seja, longe do frenesim social, quase invisível.
Um dos exemplos mais actual é o do ex-presidente Lula, quando afirmou que é difícil voltar à planície, depois de ter trilhado um caminho difícil e tortuoso para chegar ao poder. Esta franqueza não está ao alcance de qualquer um, pois ele consegue, nas suas declarações expor perfeitamente, as grandezas e as debilidades de um ser humano. Pena que todos aqueles que exercem o poder, seja a que nível for, não tenham a mesma humildade, pois o mundo seria bem diferente.


















