No decorrer da chamada primavera árabe, que se iniciou com os protestos que derrubaram os presidentes da Tunísia e do Egipto, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país, em Fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadhafi, no comando da Líbia desde a revolução de 1969. Muito rapidamente, os protestos evoluíram para uma guerra civil, onde os rebeldes foram apoiados pelas forças da Aliança Atlântica, com o objectivo de controlar as cidades estratégicas de leste a oeste.
A Líbia pode hoje virar uma página na sua história e empreender um novo futuro democrático. A morte de Kadhafi marca o fim de uma era de despotismo e repressão, que se estendeu por 40 anos, sobre o povo líbio.
Espero que as armas sejam depostas, que os combates encerrem e que o povo líbio lute pacificamente pelas suas aspirações e anseios, sem ressentimentos, com um espírito de diálogo e de reconstrução.
Mas a morte de Kadhafi, por outro lado, pode ser uma má notícia, porque a Líbia vai reescrever a sua história sem um processo, sem um julgamento e sem a verdade. Seria muito importante, para o povo líbio conhecerem a verdade e fazer justiça, por todos os opositores que desapareceram, que foram torturados e mortos.
Quanto ao futuro, vamos ver como se comportam as tribos, principal elemento social e político da Líbia. Algumas famílias tribais enriqueceram de forma inacreditável, principalmente devido à grande corrupção. A cultura tribal não é antagónica a ideia de um Estado moderno, espero que as tribos possam entrar em acordo, para a formação de um Estado, que devolva o conforto e a segurança ao povo líbio.














